Literatura

“Os últimos lírios no estojo de seda”

Meus primeiros contatos com Marina Colasanti se deram ainda na escola, onde algumas professoras apreciavam muito seu trabalho. Eu até curtia os textos da jornalista ítalo-brasileira, mas não me empenhava em conhecer mais amplamente sua obra.

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Marina Colasanti e seu lindo sorriso.

Dia desses, descobri Os últimos lírios no estojo de seda, de Colasanti, aqui em casa. A capa dizia: Crônicas Ilustradas! Que maravilha! Sou apaixonada por crônicas. Amo ler e escrever textos poéticos, cheios de metáforas, com aquelas palavrinhas charmosas por sua raridade.

Por isso, fiquei empolgada para começar a leitura da obra e, dessa forma, conhecer mais a fundo a premiada autora. E me deliciei. Na livro, ela consegue envolver, comover, divertir e informar. Apoiada em figuras de linguagem e em uma imaginação riquíssima, ela conquista o/a leitor(a) com a sensibilidade e irreverência típicas de seus textos.

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O exemplar, escondido em uma estante da minha casa.

Assim como todo mundo, experimento, às vezes, tropeços e quedas na vida. Minha dificuldade maior, nessas situações, é respeitar o tempo necessário para me reerguer e recomeçar. Impaciência e ansiedade imperam na minha mente, o que me deixa aflita frente à passagem das horas e à sensação constante de que não vou conseguir concluir todas as minhas tarefas a tempo.

Neste cenário, as palavras do livro se fizeram para mim um afago suave e atencioso. Já cativada pela obra, fui lindamente surpreendida pelas suas últimas páginas. Estava em um vagão de metrô. Acabara de percorrer longas e movimentadas ruas envolta em reflexões sobre aspectos delicados da minha vida. De pé, uma mão se apoiava na barra de ferro do vagão, enquanto a outra segurava o exemplar aberto diante dos meus olhos.

Foi aí que Marina me presenteou com uma crônica. Com carinho, selecionou as melhores palavras. Ordenou-as. Ornou-as. Compôs, assim, um presente tão gracioso e oportuno que foi capaz de marejar – ligeiramente 😳 – meus olhos: o texto final de Os últimos lírios no estojo de seda.

Como é feio ser egoísta, vou compartilhar com vocês alguns trechos desse meu doce regalo:

“Um pé diante do outro”

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Pintura “Cloudwalker”, de Duy Huynh.

“[…] Comecei de estalo, sem treinos iniciais. […] Estendi meu primeiro fio entre dois prédios, e parti. Segura, firme, a determinação no pé, a certeza no olhar. Nunca cheguei ao fim. Aprendi com a primeira queda que o corpo se refaz, e que, escolhido meu destino, só me restava recomeçar. Estendi novamente meu fio.

[…]

O vento batia em mim, cantando nos meus cabelos, tentando me derrubar […] . Era bom andar no caminho tão estreito em que só eu cabia […].

[…]

Os amigos têm me pedido para usar rede de segurança. […] Mas sei que não é possível. Desde o primeiro dia, quando alinhei os pés sobre o risco no chão, soube que a coisa mais bela era a dignidade do abismo. E não posso quebrá-la, nem para me poupar.”

Marina Colasanti

Nossa, fico até arrepiada! É lindo, não? Uma analogia belíssima entre o ofício da funâmbula e o nosso – também arriscado e desafiador – ofício de existir!

Espero de verdade ter suscitado em cada um(a) o desejo de imergir na ternura e vigor das palavras da cronista, romancista e poeta Marina Colasanti. Assim como eu, garanto que vão se apaixonar. 💘

Fonte da imagem 1: Site Marina Colasanti (disponível em: http://www.marinacolasanti.com/2016/05/marina-foto.html).

Fonte da imagem 3: Pinterest (disponível em: https://br.pinterest.com/pin/503277327078584574/).

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