Artes plásticas · Literatura

Ana Elisa Egreja

Estava eu entre as estantes da minha querida Biblioteca Popular da Tijuca – Marques Rebelo, quando um livro me chamou a atenção. Era lindíssimo: a capa dura e larga, com desenho – em relevo – inspirado em azulejos. O titulo surgia em letras garrafais: Ana Elisa Egreja.

Ao folhear as páginas do exemplar, fui surpreendida por uma série de pinturas hiper-realistas, cheias de cores e nuances incríveis. Elas retratavam, em sua maioria, animais nos mais inusitados contextos: em banheiras, em salas de estar, dando uma festa, lendo jornal (…) 🐼🐶🐦.

anaelisa

A artista responsável pelas peças, que dá nome ao livro, também aprecia registrar rastros humanos. Ela pinta cômodos abandonados que carregam vestígios de quem ali já viveu – como restos de adesivos nas janelas. Já as figuras humanas em si nunca surgem nas telas.

Nascida em São Paulo no ano de 1983, Ana Elisa Egreja formou-se em Artes Plásticas pela FAAP/SP com orientação do pintor Paulo Pasta. Entre suas inspirações – que vão do clássico ao contemporânea – encontram-se Caravaggio, Matisse e Luiz Zerbini.

Para elaborar telas tão ricas em detalhes – de modo a promover a imersão em seus mundos fantásticos – Elisa dedica por volta de 10 horas diárias à pintura 😲. Cada quadro necessita de cerca de dois meses para ficar completamente pronto. Parte do processo produtivo da pintora consiste em coletar, da internet, referências para compor suas colagens artísticas.

A respeito das casas que figuram em suas pinturas, Ana Elisa diz que as restaura como forma de construir ambientes utópicos e harmônicos. Ao revestir, em seus quadros, paredes descascadas das casas que utiliza como referência, ela declara que sente “como se estivesse consertando as coisas que ela mesma precisa arrumar”.

A proposta desta artista me encantou: as colagens inusitadas, criativas e carregadas de significado; o fato de ela enxergar sua arte como um modo de reparar as imperfeições da vida e tranquilizar a mente inquieta de quem vive na contemporaneidade; a forma como nos convida a imergir em uma fantasia graciosamente harmônica e tão realisticamente retratada. Por meio de sua arte, a autêntica e aplicada Ana Elisa Egreja me encoraja a seguir sem medo de realizar constantes combinações de elementos, reparos e recriações na minha vida ❤.

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Foi ela quem disse

🎨 “Meu trabalho lida, fundamentalmente, com o conceito de colagem. A ideia é reunir num mesmo cenário elementos de origens diferentes e que façam sentido juntos.”

🎨 “Parto dessas fotos que alguém tirou de uma casa em demolição ou vazia, e incluo ali o meu sofá, o meu lustre etc., e começo a contar a história que eu queria que tivesse acontecido naquelas casas.”

🎨 “Eles [animais] têm uma beleza que me atrai, os pássaros principalmente, gosto de pintar penas e aquelas combinações de cores naturais e ao mesmo tempo tão improváveis.”

🎨 “Na execução de Jardim refletido, eu busquei um ambiente plácido, branco, calmo, e fiquei muito na dúvida se acrescentava o cisne, mas na hora em que inseri o cisne fez plim, sabe?”

Fonte de consulta:

Livro Ana Elisa Egreja (ensaio por Tiago Mesquita e entrevista por Juliana Monachesi; Editora Cobogó)

Fonte das imagens das telas:

Site Galeria Leme

Imagem destacada:

Janela III, 2012. 120 x 140 cm

 

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