Poesias

A folha que fomenta

Se fere

O caule que concede

Se corta

A estirpe que esteia

Se extrai

 

O solitário solo

Solicita

O árido ar

Arqueja

A híbrida hidrosfera

Implora

 

Toca na terra

E tenta

Beija a brisa

E busca

Abraça as águas

E acata

 

O mundo fala

 

Rafaela Relva Endlich

 

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paisagem
“Exéquias de Camorim” (1879) e “Paisagem de Niterói” (1884), de Firmino Monteiro (1855 – 1888).

 

Fonte das imagens: Enciclopédia Itaú Cultural

Poesias

Poesia

Hei de querer-te até o fim da vida
Sorver-te inteira louca e intensamente
Em grandes goles, ao final da lida
Ou de mansinho, moderadamente.

Pois és a essência deste meu caminho
Trazes a sombra, o oásis, a brandura
Toda a ternura que traduz o ninho
E me afasta um pouco da amargura.

Ernane Cortat

Surges altiva, alegre ou até triste
E transbordas emoção em cada som
Em cada letra que em teu corpo existe.

E as palavras formam a sinfonia
Que vai me conduzindo pela mão.
E tu me tornas mais humano – Poesia.

 

 

Cacá Endlich

Crônicas · Poesias

Desafios

Transbordar em versos emoções latentes

Transformar em brilho sentimentos pungentes

Transportar os sonhos para outras mentes

Transmutar velhas quimeras em sementes.

 

Transfigurar a dor e a nostalgia

Transmitir o inefável da poesia

Transcodificar o fardo do dia a dia

Transcender o choro e a alegria.

 

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Transpor barreiras incandescentes

Trazer imagens belas fulgurantes

Traduzir poemas belos, instigantes.

 

Tracejar caminhos aos errantes

Trair a prepotência dos mandantes

Tramar a fuga dos amantes.

 

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Cacá Endlich

 

Autoria das obras:

Vik Muniz

Fontes das imagens:

Site Vik Muniz

Site Stamps School of Art & Design

Poesias

Livramento

Quero-quero os frutos desta terra

Que se aduba com o que ofereço

Vagueio no infinito

Peito aberto

Sem endereço

 

Sagaz e atrevida

Ágil e atraente

Ceifaram-me a liberdade

Neste mundo delinquente

 

Penalidade severa

À minha penugem aveludada

A duras penas rompi

Com quem me engaiolava

 

Meu pranto

Hoje é um canto

Se vai cativar

Sabe-se lá

Sou sabiá

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Rideau Flowers, Brenda Carter.

Fonte das imagens: site Brenda Carter (disponível em: http://www.natureartists.com/brenda_carter.asp).

Imagem 1: Varied Thrush, Brenda Carter.

Poesias

Meu ato

Sob o holofote

Clarão forte

Que dá à luz

Um novo ser

 

Meu corpo, instrumento

Alumiado, é ornamento

Fio de uma trama

Tecida em comunhão

 

Sou macho, sou fêmea

Uma coisa, uma fera

Virgem, transante

Firme, vagante

 

Gemo de pesar,

De prazer

Choro com euforia,

Com sofrer

 

Fertilizada com tanta “merda!”

No palco finquei raiz

Regada com suor,

Brotei

Sou atriz

 

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Théâtre du Gymnase in Paris,
Adolph Menzel

Imagem 1Manic, Jane Gough.

Fonte da imagem 1: site Fine Art America (disponível em: http://www.fineartamerica.com)

Fonte da imagem 2: site WikiArt (disponível em: http://www.wikiart.org)